Vendem se poemas
Estão todos por aí líricos
A rimar a flor com o amor
Depois de alguns desamores...
A liberdade democrática
Estou sem termo pra definir
Mas esta liberdade tende
Tende a destruir a poética
Qualquer um faz um soneto
Mal feito, de passagem
Que cante o inatingível belo
Que alcance os vocábulos doces
Forçados e sem brilho algum
Alguns farsantes das falácias
Que aprenderam a escansão
Nos manuais de poesia e redação
Geralmente poetas são feios
Poemas não
São cultos, não "perdem tempo"
Amam, realmente amaram...
Qualquer um não sabe amar
Qualquer um não sabe amar
Todo mundo não pode amar
Existe ainda a poesia
Afirmo quase a perguntar
Hoje com tudo sem valor
O poeta e o seu fingido amor
Sem sentimento verdadeiro
Compra, pois, com seu dinheiro
Os lauréis de cantador
E faz trovas a revelia
E se confunde nos falsos versos
Um dia está enamorado
Noutro já se oprime sem espaço
É comunista hoje e amanhã
Um judeu que mora em Amsterdã
E assim oscilando entre o conveniente
Vão deitando palavras ao chão
Sem sentimento sublime são
Um estorvo à poesia do menestrel...
Se foi só um amor que se foi e um versinho
Guarde no cantinho
Guardadinho...
Não, você não é o Vinícius de Morais
Demora pra ser poeta se não se nasce um
Guarde os seus poeminhas, são legais
Nada mais, pois você é qualquer um
Que vê mas não sente.
Auro Sergio