"Um feixo fino de água
Um filete eu diria
De nascente limpa, doce
Foi-se em covardia
Suas algas marinhas
Morreram, se havia...
Seus cágados coitados
Foram encimentados
No concreto sólido
Da indiferença
De nosso ser insólito
Ele fedia sem dó
Tratavam-no fossa
Insetos atraía
Mas não há mal pior
Que a covardia
De misturar o pó
Em sua água fria
E calcificá-lo.
Não eram tartarugas
Mas clamavam por ajuda
De quem fosse, IBAMA
Ou qualquer ambiente
Que lhe dessem meios
Para estarem ainda vivos
Eram cágados nativos
Irmãos de nós mesmos
Não eram pedras no caminho
Dos nossos desejos.
Hoje por ali caminham
Fazem seus “cooper”
Especulam e embriagam
No lodo de seus anseios
Os veios por onde corre
Água limpa agora podre
O concreto desalmado
Como podem acimentá-lo
Concordam com o fim
Permanecem calados
Ao verem nosso Corguim
Com os dias contados
Tumultos ambientais
Consciência de preservação
Não, esses animais
Nem deram atenção
Depois sou eu o louco
Desvairado, e eles não.
São homens sábios... "
Auro Sérgio